O Município de Esposende assinalou os 50 anos do 25 de Abril com a inauguração de um mural evocativo dos presidentes da Assembleia Municipal de Esposende, desde o 25 de Abril de 1974. Durante a sessão extraordinária da Assembleia Municipal que se seguiu, o presidente da autarquia, Benjamim Pereira alegou ser “hora de honrarmos todos os que, de variadíssimas formas, lutaram pela Liberdade”, alertando para o facto de “a banalização rotineira de um evento político de profundo significado, abrir a possibilidade de esta data gerar o desinteresse e incompreensão das novas gerações”.

O Dia da Liberdade amanheceu com o hastear das bandeiras, contando com a presença da soprano Teresa Nunes e do Ensemble de Sopros de Antas que fizeram ecoar o hino nacional e outras músicas da Revolução.

Já no Fórum Municipal Rodrigues Sampaio, transformado em Casa da Democracia porque acolhe a Assembleia Municipal, foi prestada homenagem a todos os que presidiram a este órgão autárquico, desde 25 de Abril de 1974.

António Baptista Marques Henriques, Manuel Meira Gonçalves Pereira, Jorge Dias Félix de Araújo, Luís Gonzaga Eiras de Azevedo, Rosa Cardoso Salgado Torres da Fonseca, António Fernandes Ribeiro, Alberto Queiroga Figueiredo, António Fernando do Couto dos Santos, José Agostinho Veloso da Silva, Carlos Manuel Pires Martins da Silva.

“Em nome da população de Esposende, Obrigado!” Este sublinhado do presidente da Câmara Municipal de Esposende antecedeu a defesa da tese que “o Poder Local é a maior vitória do 25 de Abril”, sustentando que “a proximidade do exercício da gestão autárquica permite que, juntamente com a população, seja construída uma sociedade mais justa e participativa”. E Benjamim Pereira apresentou como “modelos superlativos de participação popular”, dois exemplos experienciados neste Município: “Aquando das obras no Largo Rodrigues Sampaio e Praça D. Frei Bartolomeu dos Mártires e da proposta de intervenção na praia de Cedovém, em Apúlia, abrimos os temas à discussão pública e convidamos a população a apresentar propostas para cada uma das situações”.

Estes exemplos da participação popular enaltecem a Democracia, assim como a definição do investimento nas freguesias em função das necessidades que os presidentes de Junta nos transmitem.

A falar da História com o olhar no futuro, Benjamim Pereira lembrou que o 25 de Abril de 1974 é uma data de grande relevo para Portugal “porque devolveu ao povo uma saudável confiança em si próprio, prometeu aos Portugueses o respeito pelos direitos, liberdades e garantias inerentes à dignidade humana e garantiu a justiça social. Em suma, o 25 de Abril tornou possível a institucionalização da democracia em Portugal”, reforçou Benjamim Pereira.

Volvidos 50 anos e perante os desafios que se colocam à Democracia, Benjamim Pereira questionou: “Que é feito da fraternidade que encheu este país? Que é feito do entusiasmo com que se enfrentou o desafio de construir um país melhor? Que é feito da tolerância e do respeito? Que é feito da habitação que decidimos construir para todos? Que é feito da saúde que decidimos melhorar? Que é feito da educação que nos propusemos elevar? Que é feito da velhice que nos obrigamos a proteger?” E conclui: “De facto, são demasiadas questões que continuam por responder e a adensar a preocupação relativamente aos valores de Abril”. Há, porém, uma lição a reter e que devemos valorizar: “conquistámos a democracia sem violência nem sangue. Nas dificuldades que hoje nos atingem devemos encontrar, nos valores de Abril, a razão para nos unirmos em prol de objetivos maiores”.

O presidente da Assembleia Municipal de Esposende, Carlos Martins da Silva alertou que, “mais do que uma data, o 25 de Abril de 1974 representa um processo e é o evento maior de uma sequência de eventos que permitiram o estabelecimento de uma democracia liberal, representativa e plural, com liberdade de expressão, em que todos contam. Nessa sequência de eventos não posso deixar de citar duas outras datas, datas de eventos consolidadores da nossa democracia, o 25 de abril de 1975, data das primeiras eleições livres no nosso país para a Assembleia Constituinte e o 25 de novembro de 1975, um marco na consolidação da democracia”.

Carlos Silva lembrou que “estas comemorações são acima de tudo um alerta para todos nós que a democracia nunca está garantida e que nos devemos envolver e contribuir no dia a dia para o seu enraizamento e vitalidade, uma tarefa sempre inacabada” e sinalizou que “os cidadãos que integram os órgãos do poder local têm essa responsabilidade acrescida”.

A deputada municipal Anabela Solinho destacou as conquistas que Abril proporcionou à mulher, apesar de nunca definitivas” e Marcelino Cunha lembrou que a celebração do 25 de Abril ocorre por respeito ao passado, “como o 11 de março e o 25 de novembro de 1975”.

A deputada Marta Viana (CDS) assinalou “a consolidação de uma democracia vibrante” e o deputado Tito Evangelista (PS) entendeu apontar que “a democracia está em risco, pelo aparecimento de radicalismos e extremismos, mas essencialmente pelos populismos que existem no dia a dia”. António Morgado (PSD) entende ser importante “reconhecer o esforço da geração que, tendo vivido em ditadura, tudo fez para proporcionar as condições para que os filhos crescessem em liberdade e com direitos”.

Vítor Quintão, em representação dos presidentes de Junta alegou que o 25 de Abril de 1974 passou a ser um país “em que as escolhas das pessoas passaram a ser a base das decisões da comunidade”.

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