Foi aprovado, ontem, pela Assembleia Municipal de Esposende, o regulamento do Prémio Literário Manuel de Boaventura, instituído pelo Município de Esposende com o intuito de homenagear e divulgar este escritor e homem de cultura. O período de candidaturas decorrerá após a sua publicação em Diário da República, culminando o prazo a 16 de janeiro de 2017.
No valor pecuniário de 7 500 euros, o Prémio terá periodicidade bienal, contemplando a modalidade da criação narrativa de Romances ou de Contos da autoria de escritores de língua portuguesa. Podem candidatar-se autores maiores de 18 anos, com obras editadas em livro e escritas em língua portuguesa, cuja primeira edição tenha ocorrido durante o ano de 2016.
A avaliação das obras estará a cargo de um júri constituído por dois críticos literários de reconhecido mérito académico e por um representante da Câmara Municipal de Esposende.
As obras a concurso deverão ser enviadas via CTT, com registo e aviso de receção, para o endereço: Biblioteca Municipal Manuel de Boaventura, Rua Dr. José M. Oliveira, 4740-265 Esposende.
Natural de Vila Chã, onde nasceu em 1885, Manuel Joaquim de Boaventura fixou residência, em 1906, na freguesia de Palmeira de Faro, onde escreveu toda a sua obra literária, composta por dezenas de títulos e uma notável colaboração jornalística nas principais revistas e jornais nacionais.
A sua paixão pela cultura local, pelos hábitos e costumes do Minho, pelo linguarejar típico, levaram-no a coligir e publicar, entre outras, uma extraordinária obra, Vocabulário Minhoto. Nos seus romances e contos, reconhece-se a escrita da terra, os vocábulos lugareiros, as romarias e festas, o mundo maravilhoso de lendas, bruxas, gnomos, lobisomens, fadas e diabos, a narrativa humorística e emotiva dos costumes e paisagens de Entre Douro e Minho, especialmente o seu “terrunho” natal. Manuel de Boaventura faleceu a 25 de Abril de 1973.
Em 1961, o jornalista e escritor Guedes de Amorim escreveu no “Século Ilustrado” um artigo intitulado “Manuel de Boaventura, Um grande escritor”, onde se lê “Devotado a uma obra já mui avultada, tanto em quantidade como qualidade, alia-se em Manuel de Boaventura, a nobreza de bem servir a literatura a uma ativa e (silenciosa) insatisfação. O Minho é o seu jardim e a sua biblioteca. Os contos de Boaventura representam mesmo em confronto com os de Camilo, das mais belas páginas que as terras, as gentes e os costumes minhotos têm inspirado. A par do ficcionista, em que o prosador e o poeta tão alto têm subido, neste altíssimo homem de letras salienta-se, igualmente, o etnólogo, o investigador atento da literatura oral que o povo, de geração para geração, tem transmitido”.
Comentários Facebook