A propósito da notícia acerca da notificação de demolição recebida por Sérgio Cardoso de Sousa, relativa ao edifício localizado em Fão, junto à ponte D. Luís Filipe, comummente designado por “Fôjo”, gostaríamos de expressar, enquanto arquitectos, e alguns de nós doutorandos em arquitectura, a nossa preocupação pelo facto de existir a possibilidade de desaparecimento de um marco icónico local, representativo da nossa história contemporânea. Contemporâneos que somos, vemo-nos na obrigação de alertar a comunidade, e as entidades que tutelam o território, para a importância que este edifício tem enquanto testemunha da mudança da identidade social do nosso país, e mais concretamente na metamorfose da vivência da vila de Fão.

O património arquitectónico existente nas freguesias do concelho de Esposende compreende exemplos de edifícios de múltiplas valências, desenvolvidos para dar resposta a determinados programas que reflectem um tempo e uma realidade com características irrepetíveis. A arquitectura é, a nosso ver, a materialização do passado e da história, seja ele mais ou menos ancestral. Ainda hoje o é, e cada edifício e programa arquitectónico que se afaste de expressão mais canónica da edificação, torna-se para nós motivo de interesse, de protecção e de divulgação. No concelho de Esposende existem edifícios de projecção internacional, de reconhecido valor não apenas por si só, mas por se articularem entre si e serem representativos de uma identidade e história locais.

O “Fôjo” é representativo de uma história que queremos preservar e divulgar, dando a conhecer um território que para nós se reveste da maior importância, profissional e, sobretudo, pessoal. Embora reconheçamos que o mesmo se encontra numa situação que terá de ser reorganizada, reconhecemos igualmente nele o potencial que possui para o conhecimento e projecção da vila de Fão. Este edifício representa um tipo de arquitectura de expressão popular local, intrinsecamente associada à história contemporânea pós 1974, o ano mais marcante da história recente de Portugal.

Não somos uma geração que tenha nascido noutro regime que não aquele em que vivemos e no qual podemos expressar as nossas convicções, e as nossas preocupações. Sabemos que nem sempre assim o foi através da história e do património – material e imaterial. O “Fôjo” representa a expressão de uma comunidade à qual pertencemos e que é resultado não só da mudança dos tempos, mas também da preservação das memórias e da sua história. Apelamos por isso, para que seja encontrada uma solução capaz de evitar o desaparecimento de um edifício que é do nosso tempo, manifestando igualmente a nossa disponibilidade de colaborar em qualquer projecto que seja desenvolvido no âmbito da sua preservação.

Subscrevemo-nos respeitosamente,

  1. Tiago Bragança Borges
  2. Tiago Freitas
  3. Inês Abreu Ribeiro
  4. Vasco Lé Dias
  5. Maria João Freitas
  6. Filipa Russell Alves
  7. Filipe Antunes Madeira
  8. Diogo Vasconcelos
  9. Ana Sofia Moreira
  10. António Pedro Faria
  11. Carlos Miguel Campos
  12. André Costa Gomes
  13. Rui del Pino Fernandes
  14. Filipa Serra Taborda
  15. Catarina Queirós
  16. Hugo Santoalha
  17. Susana Lima
  18. Carlos Sousa Valles
  19. Tiago Oliveira
  20. Fernando Pimenta
  21. Jorge Alves
  22. Francisco Crisóstomo Calheiros
  23. Ana Neiva
  24. Jéssica Pinto
  25. Gonçalo Vaz de Carvalho
  26. Fernando Oliveira de Miranda
  27. João Casais Moreno Penha Ferreira
  28. Duarte Pereira da Costa Pinto da Silva
  29. Inês Cabrita
  30. Adriana Pacheco
  31. Maria Souto de Moura
  32. Joana Coutinho
  33. David Gonçalves Monteiro
  34. Tiago Miguéis Casanova
  35. João Francisco Sousa
  36. Diogo Vale
  37. Ana Maria Trabulo
  38. Mathias Gramoso
  39. Pedro Bragança
  40. José Pimenta
  41. Francisco Mesquita Moura
  42. Sara Costa
  43. José Ventura
  44. Lara Mendes
  45. Marisa Oliveira
  46. Pedro Pereira
  47. Gonçalo Vatgas
  48. André Avelelas
  49. Francisca Marques
  50. André Pipa
  51. João Edgar Costa
  52. Miguel Oliveira Vale
  53. Rita Duarte
  54. João Gonçalo Mamede da Silva Cruz
  55. Raquel Serra
  56. Joana Mafalda Bicas
  57. Joana Batel
  58. Sara Pontes
  59. Maria Margarida Leitão
  60. Filipa Neiva
  61. João Tito Martins Soares da Silva
  62. Luís Piteira
  63. Edgar Brito
  64. Pedro Vinagreiro
  65. Rita Gomes
  66. André Oliveira
  67. Sara Frazão Monteiro
  68. Fernando Couto
  69. Diogo Pereira da Silva
  70. Jorge Correia
  71. Joana Torgal Pinheiro
  72. João Salsa
  73. Andrea Soutinho
  74. Inês Loureiro
  75. Ana do Vale Lopes
  76. Adriana Cerqueira Correa
  77. Carlota Amorim
  78. Francisco Silva Pereira
  79. Angélica Carvalho
  80. Tiago Manuel Silva Azevedo
  81. Tiago Leal
  82. Maria Manuel Barreiros
  83. Sebastião Ferreira de Almeida Santos
  84. Márcia Saldanha
  85. Pedro Pereira
  86. Rui Carvalho
  87. Jorge Vieira
  88. Luís Mié Santos
  89. Sérgio Fazenda Rodrigues
  90. Sofia Faria e Maia
  91. Ricardo Brites
  92. Felicidade Oliveira
  93. José Francisco Nóbrega
  94. Filipe Borges de Macedo
  95. João Rapagão
  96. Nuno Lascasas
  97. Vitor Oliveira
  98. Márcia Oliveira
  99. Manuela Alexandra Pereira
  100. Fernando Baldaia
  101. Alexandra Areia
  102. Cristiana Martins
  103. Cristiana Lopes Brenna

Comentários Facebook

Comentar

Também poderá gostar de ler

GNR deteve na última semana, 247 condutores por condução sob o efeito do álcool

A Guarda Nacional Republicana, para além da sua